Um jovem casal vivia em plena harmonia, apesar da simplicidade que reinava em seu lar.
A única riqueza de que o marido dispunha era um antigo relógio de bolso, herança de seu avô, mas que não possuía o cordão e, por isso, vivia sempre preso a um barbante. O maior sonho do marido era ter dinheiro para comprar um fio de ouro para pendurá-lo.
A mulher, por sua vez, também tinha um grande sonho: comprar um tiara para prender sua vasta cabeleira loura que parecia feita de raios solares.
Todos os domingos, quando iam à missa, a conversa era a mesma:
- Querida, que pena você não ter uma tiara para ornar seus belos cabelos. E por causa disso, tem de estar sempre com esse rabo de cavalo, senão o vento o despenteia.
- Bobagem, meu amor. O que lamento é você não ter um fio decente para prender seu relógio de ouro e por isso ser obrigado a deixá-lo sempre em casa.
Na semana em que completariam cinco anos de casamento, ambos se surpreendiam pensando no que dariam de presente um ao outro.
E, de repente, os dois tiveram uma idéia. E visualizaram a alegria do outro. Sorriram e partiram para a ação. Cada um no mais absoluto sigilo.
E na noite da comemoração do quinto aniversário de felicidades, qual não foi a surpresa do marido, ao regressar da cidade e avistar a mulher com o cabelo cortado na altura do rosto.
- Mas o que você fez, querida? Onde estão seus cabelos? - Perguntou boquiaberto, mas sem gritar.
- Ah, meu amor! Encontrei quem pagasse bem por eles e os vendi. Com o dinheiro comprei um presente para você. - Dizendo isso, a mulher estendeu um delicado pacote ao marido.
O marido abriu o pacote e sorriu: era um reluzente fio de ouro para seu relógio.
- Obrigado, querida, mas vendi o meu relógio para lhe oferecer isto.
A mulher então recebeu um embrulho coberto de papel dourado, abriu-o e também sorriu: era a tão sonhada tiara para adornar seus cabelos que já não existiam.
Longe de se chatearem um com o outro, se acolheram num confortável abraço, selando o forte amor que fazia com que cada um abrisse mão de seu sonho para ajudar a realizar o do outro.
Trecho do livro Os Contadores de Histórias
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