"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem
livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever -
inclusive a sua própria história".
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
É fortíssima a energia que você tem
É fortíssima a energia que você tem, ainda não explorada pelo
seu pensar, e amplas são as suas possibilidades de crescer e chegar à
prosperidade nas formas que mais lhe convém.
Por isso, não se limite nem se imagine sem sorte ou infeliz.
Quanto mais você enxerga realizações pela frente, mais elas se fazem e a inteligência e o amor avançam, destruindo problemas e edificando a paz.
Seja alegre, compreensivo e confiante em si, a fim de que as facilidades possam aparecer. Quem não confia em si é água suja que não serve para uso.
Por isso, não se limite nem se imagine sem sorte ou infeliz.
Quanto mais você enxerga realizações pela frente, mais elas se fazem e a inteligência e o amor avançam, destruindo problemas e edificando a paz.
Seja alegre, compreensivo e confiante em si, a fim de que as facilidades possam aparecer. Quem não confia em si é água suja que não serve para uso.
sábado, 23 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
LANÇAMENTO do livro "Nas Entrelinhas da Alma"
LANÇAMENTO do livro "Nas Entrelinhas da Alma" de autoria da grande Marilene Sampaio eda Silva, a (Bary)
♦Dia 16 de Novembro♦
Hora 16:40h
Local: Rua Lídia Brígida, 377 - Água Fria
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
A Motivação Melhora a Vida
Para que tudo saia direito é preciso ter motivação. Ela te fará obter sucesso em qualquer atividade da vida.
Há quem reclame do casamento. Pode ser falta de motivação. Lembra quando você estava para se casar? Misturava o amor com a motivação. Só com amor você pode ficar com a pessoa amada sem casar, mas quando entra a motivação, vem a coragem para dar o passo para selar definitivamente a união.
Para iniciar uma tarefa, um trabalho, elaborar um projeto, praticar esporte, tomar decisões simples em casa ou difíceis no trabalho, casar, ter filhos, comprar alguns presentes, enfim, ser alegre na vida, é preciso motivação. Podemos dizer que ela é tudo o que todo mundo precisa para viver e realizar seus sonhos. Viver com motivação é valorizar-se, gostar da vida, de si mesmo e vibrar a cada conquista, mesmo que essa conquista seja pequena, ela tem que ter satisfação.
Porém, motivação deve estar presente no início, no meio e no fim dos seus objetivos. Quem se entusiasma com as pequenas conquistas, ganha o merecimento e o aprendizado de ir cada vez mais longe na busca dos seus objetivos, seja financeiramente, emocionalmente ou espiritualmente.
A preguiça é a inimiga número um da motivação. A palavra "não" pode ser a alavanca para você se motivar e buscar os seus objetivos.
Como conseguir a motivação e reanimá-la dentro de você? Há várias maneiras, e uma delas está em conhecer-se melhor, conhecer seu verdadeiro "dom", sua verdadeira vontade de realização, saber seus limites e se motivar para ultrapassá-los. Buscar ser uma pessoa melhor é um atrativo a mais, porque você vai ter a preocupação de falar somente aquilo que gostaria de ouvir e isso vai lhe oferecer satisfação. Esta motivação tem um sabor especial. Estando motivado, a sua vida vai mudar e você estará ajudando o próximo a mudar a dele também.
Saber seu limite e respeitar o limite dos outros pode levá-lo ao sucesso, mas como obter o sucesso se você não se conhece? Se você não procurar se conhecer melhor, não vai saber do que gosta, e se não sabe o que gosta, poderá deixar escapar as boas oportunidades.
A gente costuma ter motivação sempre que aparece algo novo, mas todo dia é um novo dia e cabe a você torná-lo sempre um bom dia. Viver motivado é viver o momento, é buscar o que parece impossível, é transcender as suas manias, a sua vergonha, é livrar-se do apego e buscar a magia de viver em meio à turbulência, com alegria.
Este tesouro chamado motivação está no seu interior. Ela tem a ver com a lei da atração, que atrai e realiza os seus desejos, mas o ideal na busca da motivação é ser disciplinado em seus pensamentos e atitudes.
Motivação é uma decisão pessoal, depende da vontade humana. E não há nada místico, não há nada mais prático para se ter uma vida melhor. Podemos ter tudo, mas nada vem sem a dedicação, sem vontade.
Logo ao acordar, coloque motivação em seu dia e transformará sua vida em prazer, porque tudo se transforma quando se faz motivado.
Você pode estudar e ter muitos conhecimentos, mas se não colocar motivação em seus conhecimentos, não vai encontrar o seu dom, e sua felicidade estará ameaçada.
Deixe a motivação circular em suas veias. O universo perceberá quando você estiver fazendo algo com motivação, e toda essa energia começará a fluir em seu favor.
Esta é a questão, buscar a motivação para melhorar a vida, para que a admiração ganhe destaque. Você tem que polir o seu espírito e fazer crescer a confiança em cada tormenta. Assim, compreenderá que é possível obter o sucesso e a alegria de viver.
Há quem reclame do casamento. Pode ser falta de motivação. Lembra quando você estava para se casar? Misturava o amor com a motivação. Só com amor você pode ficar com a pessoa amada sem casar, mas quando entra a motivação, vem a coragem para dar o passo para selar definitivamente a união.
Para iniciar uma tarefa, um trabalho, elaborar um projeto, praticar esporte, tomar decisões simples em casa ou difíceis no trabalho, casar, ter filhos, comprar alguns presentes, enfim, ser alegre na vida, é preciso motivação. Podemos dizer que ela é tudo o que todo mundo precisa para viver e realizar seus sonhos. Viver com motivação é valorizar-se, gostar da vida, de si mesmo e vibrar a cada conquista, mesmo que essa conquista seja pequena, ela tem que ter satisfação.
Porém, motivação deve estar presente no início, no meio e no fim dos seus objetivos. Quem se entusiasma com as pequenas conquistas, ganha o merecimento e o aprendizado de ir cada vez mais longe na busca dos seus objetivos, seja financeiramente, emocionalmente ou espiritualmente.
A preguiça é a inimiga número um da motivação. A palavra "não" pode ser a alavanca para você se motivar e buscar os seus objetivos.
Como conseguir a motivação e reanimá-la dentro de você? Há várias maneiras, e uma delas está em conhecer-se melhor, conhecer seu verdadeiro "dom", sua verdadeira vontade de realização, saber seus limites e se motivar para ultrapassá-los. Buscar ser uma pessoa melhor é um atrativo a mais, porque você vai ter a preocupação de falar somente aquilo que gostaria de ouvir e isso vai lhe oferecer satisfação. Esta motivação tem um sabor especial. Estando motivado, a sua vida vai mudar e você estará ajudando o próximo a mudar a dele também.
Saber seu limite e respeitar o limite dos outros pode levá-lo ao sucesso, mas como obter o sucesso se você não se conhece? Se você não procurar se conhecer melhor, não vai saber do que gosta, e se não sabe o que gosta, poderá deixar escapar as boas oportunidades.
A gente costuma ter motivação sempre que aparece algo novo, mas todo dia é um novo dia e cabe a você torná-lo sempre um bom dia. Viver motivado é viver o momento, é buscar o que parece impossível, é transcender as suas manias, a sua vergonha, é livrar-se do apego e buscar a magia de viver em meio à turbulência, com alegria.
Este tesouro chamado motivação está no seu interior. Ela tem a ver com a lei da atração, que atrai e realiza os seus desejos, mas o ideal na busca da motivação é ser disciplinado em seus pensamentos e atitudes.
Motivação é uma decisão pessoal, depende da vontade humana. E não há nada místico, não há nada mais prático para se ter uma vida melhor. Podemos ter tudo, mas nada vem sem a dedicação, sem vontade.
Logo ao acordar, coloque motivação em seu dia e transformará sua vida em prazer, porque tudo se transforma quando se faz motivado.
Você pode estudar e ter muitos conhecimentos, mas se não colocar motivação em seus conhecimentos, não vai encontrar o seu dom, e sua felicidade estará ameaçada.
Deixe a motivação circular em suas veias. O universo perceberá quando você estiver fazendo algo com motivação, e toda essa energia começará a fluir em seu favor.
Esta é a questão, buscar a motivação para melhorar a vida, para que a admiração ganhe destaque. Você tem que polir o seu espírito e fazer crescer a confiança em cada tormenta. Assim, compreenderá que é possível obter o sucesso e a alegria de viver.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
terça-feira, 29 de outubro de 2013
29 de Outubro - Dia Nacional do livro
Esta data foi escolhida porque no dia 29 de outubro de 1810 foi fundada a Biblioteca Nacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela coroa portuguesa.
“Para as crianças o livro é um brinquedo com muitas histórias; para os adultos o livro é um dos mais preciosos tesouros da humanidade, que não deve simplesmente ser guardado, mas partilhado com todos”.
A Editora Premius manifesta sua alegria por participar do processo de criação e divulgação do livro.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
A obra de arte
Carregando sob o braço um objeto embrulhado no número 223 do Mensageiro da Bolsa, Sacha Smirnoff, filhinho de mamãe, assumiu uma expressão de tristeza e entrou no consultório do doutor Kochelkoff.
— Ah! meu grande jovem! — exclamou o médico. — Como vamos? O que há de novo?
Fechando as pálpebras, Sacha pôs a mão no coração e, comovido, falou:
— Mamãe lhe manda seus cumprimentos, Ivan Nicolaìevitch, e me encarregou de lhe agradecer... Mamãe só tem a mim no mundo, e o senhor me salvou a vida... curando-me de grave enfermidade e... não sabemos como lhe agradecer.
— Ora! O que é isso, meu jovem! — atalhou o médico, realizado. — Não fiz mais do que qualquer um no meu lugar teria feito...
Depois de observar o presente, o médico coçou lentamente a orelha, bufou e suspirou, confuso.
— Sim — murmurou —, é algo realmente magnífico... como diria?... um tanto ou quanto ousado... Não é apenas decotada; é... sei lá, que diabos!
— Mas... por que diz isso?
— Nem a serpente em pessoa poderia inventar alguma coisa de mais indecente. Se eu colocasse esta fantasiazinha na mesa, iria contaminar a casa toda.
— Que modo mais excêntrico tem o senhor de interpretar a arte! — disse Sacha, ofendido. — É um objeto artístico!... Olhe! Que beleza! Que elegância! É de se ficar com a alma inundada de piedade, e com lágrimas a subir aos olhos! Contemplando-se tamanha beleza, nos esquecemos de tudo o que seja da Terra... Veja bem... Que movimentos! Que harmonia! Que expressão!...
— Compreendo muito bem tudo isso, meu caro — interrompeu o médico —, mas acontece que eu sou pai de família. Meus filhos costumam vir aqui. Recebo senhoras...
— É evidente — disse Sacha — que se a gente adotar o ponto de vista do povo, este objeto, altamente artístico, causará uma impressão diferente... Sou o filho único de mamãe... somos pobres, e por isso não podemos lhe recompensar os seus cuidados; e não sabemos o que fazer; embora, apesar de tudo, mamãe e eu... seu filho único... lhe suplicamos de todo o coração que aceite, como penhor de gratidão... esta ninharia que... É um bronze antigo... uma obra rara... de arte.
— Mas não havia necessidade — disse o médico, franzindo as sobrancelhas. — Por que razão?
— Não, eu imploro ao senhor, não recuse! — continuou a murmurar Sacha, desembrulhando de todo o pacote. — Seria uma ofensa, a mamãe e a mim... Trata-se um objeto belíssimo... em bronze antigo. Foi herança de papai, guardada como uma querida lembrança.. Papai comprava bronzes antigos e revendia-os aos colecionadores... Já mamãe e eu não nos ocupamos disso...
Sacha acabou de desembrulhar o objeto e colocou-o solenemente em cima mesa. Era um pequeno candelabro de bronze antigo, de fina feitura. Representava duas figuras femininas em trajes de Eva e em atitudes que não ousaria — nem tenho temperamento para isso — descrever.
As figuras sorriam ostensivamente, dando a impressão de que, não fossem retidas pela obrigação de suster o castiçal, teriam imediatamente fugido do pedestal dançado tal cancã que, amigo leitor, nem é bom imaginar.
— O doutor, claro, está acima destas coisas todas e portanto sua recusa nos daria, a mamãe e a mim, uma enorme frustração. Sou o filho único de mamãe; o senhor me salvou a vida... Damos-lhe de presente o que de mais precioso possuímos, e... só tenho a tristeza de não nos pertencer o par do candelabro!
— Muito agradecido, meu jovem amigo. Fico-lhe muito grato... Minhas recomendações à sua mãe, mas rogo-lhe, o senhor mesmo considere a questão! Meus garotos costumam vir aqui... Aparecem muitas senhoras... Mas deixo-o aqui, já que me parece impossível convencê-lo!
— Ora, não há de que me convencer! — disse Sacha com habilidade. – Coloque o candelabro do lado desta jarra. Que infelicidade não possuir o par!... Bem, vou indo, adeus, doutor.
Depois da saída de Sacha, o doutor observou bastante o candelabro, coço orelha e concluiu:
“Não se pode negar que é magnífico. É uma pena abrir mão dele. Ao mesmo tempo é impossível deixá-lo aqui... Hum... Está criado o problema... Poderia dá-lo de presente a quem?” ·
Depois desta reflexão, lembrou-se do advogado Ukhoff, seu amigo íntimo, que gostaria de ter o objeto.
"Às mil maravilhas!", decidiu. "Ukof Ukhoff não aceita receber dinheiro de mim , mas ficará contente com esta lembrança... E assim me livrarei deste incômodo. Além do mais, ele é solteiro e maroto...” ·
Rápido, o médico se vestiu, pegou o candelabro e foi até a casa do advogado.
— Bom dia, amigo — disse, ao encontrar Ukhoff em sua morada... — Venho lhe trazer uma recompensa pela amolação... Já que não quer aceitar dinheiro meu, aceitará um pequeno presente... Ei-lo, meu amigo! É um objeto magnífico!
Ao ver o candelabro, o advogado viu-se tomado de inefável encantamento.
— Isso sim é que é obra de arte — disse, rindo às gargalhadas. — Que o diabo carregue os meliantes capazes de sequer imaginar alguma coisa de parecido... É maravilhoso! Onde foi que você encontrou tal preciosidade?
Assim que o entusiasmo se esgotou, o advogado lançou temerosos olhares para o lado da porta e disse:
— No entanto, meu velho amigo, é melhor levar de volta o seu presente. Não posso aceitá-lo...
— Por quê? — quis saber, espantado, o médico.
— Porque... Mamãe vem aqui, meus clientes... e além do mais é constrangedor em relação aos criados...
— Ora, essa é boa!... Você não terá a ousadia de recusá-lo. (E o médico agitou as mãos.) Eu ficaria ofendido!... Trata-se de um objeto de arte... Que movimentos! Que expressão!... Não quero ouvir seus argumentos! Você me deixaria melindrado!
— Se pelo menos tivesse alguma sutileza, ou se estivesse coberta...
O médico, porém, ainda a agitar as mãos e contente por conseguir se desfazer do presente, voltou para o seu consultório.
Sozinho em casa, o advogado pôs-se a examinar o candelabro, apalpou-lhe todas as partes e, da mesma forma que o médico, viu-se tentado a refletir sobre o que deveria fazer com ele.
“É um objeto belíssimo", pensou. "Seria uma pena se desfazer dele; ao mesmo tempo, é inconveniente tê-lo em casa... Melhor seria oferecê-lo a alguém... Já sei, vou levá-lo hoje à noite ao cômico Chachkine. O sacana adora as coisas desse gênero, e hoje é justamente o dia de sua estréia..."
Foi o que fez, tão rápido quanto pensou. À noite o candelabro, lindamente embrulhado, era oferecido ao cômico Chachkine.
A noite toda o camarim do artista foi invadido pelos homens que queriam admirar o presente; a noite toda foi de murmúrios de aprovação e de risadas que mais pareciam relinchos... Quando uma artista se aproximava do camarim e perguntava: "Pode-se entrar?", logo a voz rouca do cômico retumbava:
— Não, não, cara amiga! Estou sem roupa!
Terminado o espetáculo, Chachkine dizia, dando de ombros e abrindo os braços:
— Onde vou colocar tamanha indecência? Moro em casa de família e recebo muitos artistas! E isso não é como fotografia, que a gente pode esconder dentro da gaveta..
— Ora, por que não o vende, senhor? — aconselhou o cabeleireiro, que o ajudava a trocar de roupa. — Tem uma velha aqui no bairro que compra bronze antigo. Vá lá e pergunte pela senhora Smirnoff... Todo mundo a conhece.
O cômico resolveu seguir o conselho...
Dois dias depois, o doutor Kochelkoff meditava sobre os ácidos biliosos, de dedo na testa. Subitamente a porta se abriu e Sacha Smirnoff jogou-se a seu encontro. Sorria exultante, e todo o seu ser transpirava felicidade... Trazia alguma coisa embrulhada em jornal.
— Doutor — disse, ofegante —, imagine só nossa alegria!... Para nossa felicidade, encontramos o par do seu candelabro!... Mamãe está se sentindo tão feliz!... E o senhor me salvou a vida...
E então, tremendo de gratidão, Sacha colocou o candelabro diante dos olhos de Ivan Nicolaievitch. 0 médico quis dizer alguma coisa mas não conseguiu. Perdera o uso da palavra.
— Ah! meu grande jovem! — exclamou o médico. — Como vamos? O que há de novo?
Fechando as pálpebras, Sacha pôs a mão no coração e, comovido, falou:
— Mamãe lhe manda seus cumprimentos, Ivan Nicolaìevitch, e me encarregou de lhe agradecer... Mamãe só tem a mim no mundo, e o senhor me salvou a vida... curando-me de grave enfermidade e... não sabemos como lhe agradecer.
— Ora! O que é isso, meu jovem! — atalhou o médico, realizado. — Não fiz mais do que qualquer um no meu lugar teria feito...
Depois de observar o presente, o médico coçou lentamente a orelha, bufou e suspirou, confuso.
— Sim — murmurou —, é algo realmente magnífico... como diria?... um tanto ou quanto ousado... Não é apenas decotada; é... sei lá, que diabos!
— Mas... por que diz isso?
— Nem a serpente em pessoa poderia inventar alguma coisa de mais indecente. Se eu colocasse esta fantasiazinha na mesa, iria contaminar a casa toda.
— Que modo mais excêntrico tem o senhor de interpretar a arte! — disse Sacha, ofendido. — É um objeto artístico!... Olhe! Que beleza! Que elegância! É de se ficar com a alma inundada de piedade, e com lágrimas a subir aos olhos! Contemplando-se tamanha beleza, nos esquecemos de tudo o que seja da Terra... Veja bem... Que movimentos! Que harmonia! Que expressão!...
— Compreendo muito bem tudo isso, meu caro — interrompeu o médico —, mas acontece que eu sou pai de família. Meus filhos costumam vir aqui. Recebo senhoras...
— É evidente — disse Sacha — que se a gente adotar o ponto de vista do povo, este objeto, altamente artístico, causará uma impressão diferente... Sou o filho único de mamãe... somos pobres, e por isso não podemos lhe recompensar os seus cuidados; e não sabemos o que fazer; embora, apesar de tudo, mamãe e eu... seu filho único... lhe suplicamos de todo o coração que aceite, como penhor de gratidão... esta ninharia que... É um bronze antigo... uma obra rara... de arte.
— Mas não havia necessidade — disse o médico, franzindo as sobrancelhas. — Por que razão?
— Não, eu imploro ao senhor, não recuse! — continuou a murmurar Sacha, desembrulhando de todo o pacote. — Seria uma ofensa, a mamãe e a mim... Trata-se um objeto belíssimo... em bronze antigo. Foi herança de papai, guardada como uma querida lembrança.. Papai comprava bronzes antigos e revendia-os aos colecionadores... Já mamãe e eu não nos ocupamos disso...
Sacha acabou de desembrulhar o objeto e colocou-o solenemente em cima mesa. Era um pequeno candelabro de bronze antigo, de fina feitura. Representava duas figuras femininas em trajes de Eva e em atitudes que não ousaria — nem tenho temperamento para isso — descrever.
As figuras sorriam ostensivamente, dando a impressão de que, não fossem retidas pela obrigação de suster o castiçal, teriam imediatamente fugido do pedestal dançado tal cancã que, amigo leitor, nem é bom imaginar.
— O doutor, claro, está acima destas coisas todas e portanto sua recusa nos daria, a mamãe e a mim, uma enorme frustração. Sou o filho único de mamãe; o senhor me salvou a vida... Damos-lhe de presente o que de mais precioso possuímos, e... só tenho a tristeza de não nos pertencer o par do candelabro!
— Muito agradecido, meu jovem amigo. Fico-lhe muito grato... Minhas recomendações à sua mãe, mas rogo-lhe, o senhor mesmo considere a questão! Meus garotos costumam vir aqui... Aparecem muitas senhoras... Mas deixo-o aqui, já que me parece impossível convencê-lo!
— Ora, não há de que me convencer! — disse Sacha com habilidade. – Coloque o candelabro do lado desta jarra. Que infelicidade não possuir o par!... Bem, vou indo, adeus, doutor.
Depois da saída de Sacha, o doutor observou bastante o candelabro, coço orelha e concluiu:
“Não se pode negar que é magnífico. É uma pena abrir mão dele. Ao mesmo tempo é impossível deixá-lo aqui... Hum... Está criado o problema... Poderia dá-lo de presente a quem?” ·
Depois desta reflexão, lembrou-se do advogado Ukhoff, seu amigo íntimo, que gostaria de ter o objeto.
"Às mil maravilhas!", decidiu. "Ukof Ukhoff não aceita receber dinheiro de mim , mas ficará contente com esta lembrança... E assim me livrarei deste incômodo. Além do mais, ele é solteiro e maroto...” ·
Rápido, o médico se vestiu, pegou o candelabro e foi até a casa do advogado.
— Bom dia, amigo — disse, ao encontrar Ukhoff em sua morada... — Venho lhe trazer uma recompensa pela amolação... Já que não quer aceitar dinheiro meu, aceitará um pequeno presente... Ei-lo, meu amigo! É um objeto magnífico!
Ao ver o candelabro, o advogado viu-se tomado de inefável encantamento.
— Isso sim é que é obra de arte — disse, rindo às gargalhadas. — Que o diabo carregue os meliantes capazes de sequer imaginar alguma coisa de parecido... É maravilhoso! Onde foi que você encontrou tal preciosidade?
Assim que o entusiasmo se esgotou, o advogado lançou temerosos olhares para o lado da porta e disse:
— No entanto, meu velho amigo, é melhor levar de volta o seu presente. Não posso aceitá-lo...
— Por quê? — quis saber, espantado, o médico.
— Porque... Mamãe vem aqui, meus clientes... e além do mais é constrangedor em relação aos criados...
— Ora, essa é boa!... Você não terá a ousadia de recusá-lo. (E o médico agitou as mãos.) Eu ficaria ofendido!... Trata-se de um objeto de arte... Que movimentos! Que expressão!... Não quero ouvir seus argumentos! Você me deixaria melindrado!
— Se pelo menos tivesse alguma sutileza, ou se estivesse coberta...
O médico, porém, ainda a agitar as mãos e contente por conseguir se desfazer do presente, voltou para o seu consultório.
Sozinho em casa, o advogado pôs-se a examinar o candelabro, apalpou-lhe todas as partes e, da mesma forma que o médico, viu-se tentado a refletir sobre o que deveria fazer com ele.
“É um objeto belíssimo", pensou. "Seria uma pena se desfazer dele; ao mesmo tempo, é inconveniente tê-lo em casa... Melhor seria oferecê-lo a alguém... Já sei, vou levá-lo hoje à noite ao cômico Chachkine. O sacana adora as coisas desse gênero, e hoje é justamente o dia de sua estréia..."
Foi o que fez, tão rápido quanto pensou. À noite o candelabro, lindamente embrulhado, era oferecido ao cômico Chachkine.
A noite toda o camarim do artista foi invadido pelos homens que queriam admirar o presente; a noite toda foi de murmúrios de aprovação e de risadas que mais pareciam relinchos... Quando uma artista se aproximava do camarim e perguntava: "Pode-se entrar?", logo a voz rouca do cômico retumbava:
— Não, não, cara amiga! Estou sem roupa!
Terminado o espetáculo, Chachkine dizia, dando de ombros e abrindo os braços:
— Onde vou colocar tamanha indecência? Moro em casa de família e recebo muitos artistas! E isso não é como fotografia, que a gente pode esconder dentro da gaveta..
— Ora, por que não o vende, senhor? — aconselhou o cabeleireiro, que o ajudava a trocar de roupa. — Tem uma velha aqui no bairro que compra bronze antigo. Vá lá e pergunte pela senhora Smirnoff... Todo mundo a conhece.
O cômico resolveu seguir o conselho...
Dois dias depois, o doutor Kochelkoff meditava sobre os ácidos biliosos, de dedo na testa. Subitamente a porta se abriu e Sacha Smirnoff jogou-se a seu encontro. Sorria exultante, e todo o seu ser transpirava felicidade... Trazia alguma coisa embrulhada em jornal.
— Doutor — disse, ofegante —, imagine só nossa alegria!... Para nossa felicidade, encontramos o par do seu candelabro!... Mamãe está se sentindo tão feliz!... E o senhor me salvou a vida...
E então, tremendo de gratidão, Sacha colocou o candelabro diante dos olhos de Ivan Nicolaievitch. 0 médico quis dizer alguma coisa mas não conseguiu. Perdera o uso da palavra.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Arte Matuta
Eu nasci ouvindo os cantos
das aves de minha serra
e vendo os belos encantos
que a mata bonita encerra
foi ali que eu fui crescendo
fui vendo e fui aprendendo
no livro da natureza
onde Deus é mais visível
o coração mais sensível
e a vida tem mais pureza.
das aves de minha serra
e vendo os belos encantos
que a mata bonita encerra
foi ali que eu fui crescendo
fui vendo e fui aprendendo
no livro da natureza
onde Deus é mais visível
o coração mais sensível
e a vida tem mais pureza.
Sem poder fazer escolhas
de livro artificial
estudei nas lindas folhas
do meu livro natural
e, assim, longe da cidade
lendo nessa faculdade
que tem todos os sinais
com esses estudos meus
aprendi amar a Deus
na vida dos animais.
de livro artificial
estudei nas lindas folhas
do meu livro natural
e, assim, longe da cidade
lendo nessa faculdade
que tem todos os sinais
com esses estudos meus
aprendi amar a Deus
na vida dos animais.
Quando canta o sabiá
Sem nunca ter tido estudo
eu vejo que Deus está
por dentro daquilo tudo
aquele pássaro amado
no seu gorgeio sagrado
nunca uma nota falhou
na sua canção amena
só canta o que Deus ordena
só diz o que Deus mandou.
Sem nunca ter tido estudo
eu vejo que Deus está
por dentro daquilo tudo
aquele pássaro amado
no seu gorgeio sagrado
nunca uma nota falhou
na sua canção amena
só canta o que Deus ordena
só diz o que Deus mandou.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Lançamento do Livro A Estrada da Minha Vida
Lançamento do Livro A Estrada da Minha Vida de autoria do Dr. José Weidson de Oliveira, a realize-se no próximo dia 9 de outubro às 19 horas no Salão Nobre do Clube. Obra é autor serão apresentados pelo Dr. Cid Sabóia de Carvalho.
Cearenses na final do prêmio Jabuti
Quatro cearenses estão entre os finalistas do Prêmio Jabuti edição 2013: Socorro Acioli, Tércia Montenegro, Lira Neto e Tino Freitas. Segundo informações do jornal O Estado de São Paulo, a comissão organizadora, reunida na última terça-feira, definiu a lista dos finalistas de cada uma das 27 categorias da 55a. edição do Jabuti, o mais importante prêmio literário brasileiro. De acordo com o jornal, a apuração dos votos dos jurados também aconteceu na última terça-feira.
No dia 17 de outubro, serão revelados os vencedores. E na cerimônia de 13 de novembro, serão conhecidos os autores do ‘Livro do Ano’ nas categorias de ficção e não ficção.
O conselho curador do Jabuti é formado por José Luiz Goldfarb, Antonio Carlos Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos Menezes, Marcia Ligia Guidin.
Boa safra
Socorro e Tino Freitas, cearense radicado em Brasília há quase 15 anos, ficaram entre os finalistas da categoria Melhor Livro Infantil. Socorro, com Ela Tem Olhos de Céu, publicado pela editora Gaivota. Tino, com Primeira Palavra, da editora Abacatte.
Os dois concorrem com autores como Ziraldo (Os Meninos de Marte, da Melhoramentos), Arnaldo Antunes (Cultura, editado pela Iluminuras) e José Roberto Torero (autor de Os 33 Porquinhos, lançado pela Objetiva)
Tércia Montenegro, concorre na categoria Melhor livro de Contos/Crônica com O Tempo em Estado Sólido, lançado pela editora Grua. O livro já havia garantido a Tércia um lugar entre os finalistas do prêmio Portugal Telecom de Literatura, um dos principais troféus literários da língua portuguesa. No Jabuti, ela vai concorrer com autores como Luis Fernando Veríssimo, Sérgio Sant´Anna e Fabrício Carpinejar.
Já Lira Neto, que, em sua página no Facebook, classificou os finalistas como uma “boa safra de autores cearenses”, concorre ao prêmio na categoria Melhor Biografia. O seu Getúlio: Dos Anos de Formação à Conquista do Poder, 1882-1930, editado pela Companhia das Letras, vai disputar o troféu com trabalhos como Marighella, de Mário Magalhães; e A Queda, de Diogo Mainardi.
Entre os romances finalistas, estão dez oncorrentes. Entre eles, O Mendigo Que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam, de Evandro Afonso Ferreira; Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera; e Sagrada Família, de Zuenir Ventura.
Fonte: O POVO
Por que as pessoas entram na sua vida?
Pessoas entram na sua vida por uma "Razão", uma "Estação" ou uma "Vida Inteira". Quando você percebe qual deles é, você vai saber o que fazer por cada pessoa.
Quando alguém está em sua vida por uma "Razão"... é, geralmente, para suprir uma necessidade que você demonstrou. Elas vêm para auxiliá-lo numa dificuldade, te fornecer orientação e apoio, ajudá-lo física, emocional ou espiritualmente. Elas poderão parecer como uma dádiva de Deus, e são! Elas estão lá pela razão que você precisa que eles estejam lá. Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora inconveniente, esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação a um fim. Ás vezes, essas pessoas morrem. Ás vezes, eles simplesmente se vão. Ás vezes, eles agem e te forçam a tomar uma posição. O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas, nossos desejos preenchidos e o trabalho delas, feito. As suas orações foram atendidas. E agora é tempo de ir.
Quando pessoas entram em nossas vidas por uma "Estação", é porque chegou sua vez de dividir, crescer e aprender. Elas trazem para você a experiência da paz, ou fazem você rir. Elas poderão ensiná-lo algo que você nunca fez. Elas, geralmente, te dão uma quantidade enorme de prazer... Acredite! É real! Mas somente por uma "Estação".
Relacionamentos de uma "Vida Inteira" te ensinam lições para a vida inteira: coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida. Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida. É dito que o amor é cego, mas a amizade é clarividente. Obrigado por ser parte da minha vida.
Pare aqui e simplesmente SORRIA.
"Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro,
Ame como se você nunca tivesse sido magoado, e dance como
se ninguém estivesse te observando."
"O maior risco da vida é não fazer NADA."
Quando alguém está em sua vida por uma "Razão"... é, geralmente, para suprir uma necessidade que você demonstrou. Elas vêm para auxiliá-lo numa dificuldade, te fornecer orientação e apoio, ajudá-lo física, emocional ou espiritualmente. Elas poderão parecer como uma dádiva de Deus, e são! Elas estão lá pela razão que você precisa que eles estejam lá. Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora inconveniente, esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação a um fim. Ás vezes, essas pessoas morrem. Ás vezes, eles simplesmente se vão. Ás vezes, eles agem e te forçam a tomar uma posição. O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas, nossos desejos preenchidos e o trabalho delas, feito. As suas orações foram atendidas. E agora é tempo de ir.
Quando pessoas entram em nossas vidas por uma "Estação", é porque chegou sua vez de dividir, crescer e aprender. Elas trazem para você a experiência da paz, ou fazem você rir. Elas poderão ensiná-lo algo que você nunca fez. Elas, geralmente, te dão uma quantidade enorme de prazer... Acredite! É real! Mas somente por uma "Estação".
Relacionamentos de uma "Vida Inteira" te ensinam lições para a vida inteira: coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida. Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida. É dito que o amor é cego, mas a amizade é clarividente. Obrigado por ser parte da minha vida.
Pare aqui e simplesmente SORRIA.
"Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro,
Ame como se você nunca tivesse sido magoado, e dance como
se ninguém estivesse te observando."
"O maior risco da vida é não fazer NADA."
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
A professora
Na classe reinava o silêncio. A turma do terceiro ano estava empenhada na prova de redação. A jovem professora, apesar de ser estreante na carreira do ensino, conseguia impor certa autoridade aos alunos, com exceção de alguns moleques mais atrevidos. Entre eles, sobressaía-se Carlinho, apelidado de Pica-pau, por causa do topete ruivo sempre levantado em cima da testa. A professora procurava não entrar em choque direto com ele, pois sabia, por experiência, que ia acabar perdendo a parada.
Pica-pau era astuto e inteligente. Sem dúvida, seria o primeiro da classe, caso dedicasse um mínimo de atenção às tarefas escolares. Mas sempre andava distraído, aproveitando-se de qualquer oportunidade para
soltar suas piadinhas que faziam cair a classe inteira em estrondosas gargalhadas. Naquele dia de prova, o Pica-pau, ao invés de fazer sua redação, começou a desenhar bonecos.
A professora, que se movia lentamente entre as carteiras, seguindo as provas de cada um, ficou aborrecida com o comportamento “Quando a crítica for feita, ela deve ser dirigida ao ato impróprio da criança ou do adolescente, nunca a ele(a), pois o problema está em sua ação”. incorreto de Carlinho. Sem dizer uma palavra, retirou-lhe abruptamente o papel da prova, mandando-o em seguida para o fundo da classe, lugar onde os alunos costumavam ficar de castigo. Pica-pau pareceu não se importar nem um pouco com isso e, mantendo sua habitual postura irreverente, apitou duas vezes, como fazem os guardas de trânsito
quando apontam uma infração. A classe inteira, que até aquele instante estava em silêncio, estourou numa sonora gargalhada. A jovem professora mordeu um lábio. Mais uma vez sentiu que o moleque a vencera. Tentando manter sua autoridade, olhou-o severamente dizendo:
— Amanhã você só poderá entrar na escola acompanhado por sua mãe. Estas palavras surtiram um estranho efeito sobre o menino, que logo arregalou os olhos e, pela primeira vez, pareceu manifestar certa apreensão. No dia seguinte, chegou à escola cabisbaixo, acompanhado pela mãe. Era esta uma mulher corpulenta, ruiva como o filho. Tinha feições grosseiras, sua expressão revelava uma mal reprimida prepotência. Em pé, na sala de reuniões, olhava em volta desconfiada, segurando o menino pelo braço, como para evitar que lhe escapasse. A professora chegou apressada, porque estava
quase na hora de iniciar a aula. Cumprimentou a mulher, tentando ser cordial, mas não lhe passou despercebida a estranha atitude do menino, que agora olhava para ela com a expressão angustiada de quem pede socorro. A mulher não esperou que a professora iniciasse
a conversa.
— Pois é — disse rudemente — precisava isso
também, não bastam os desgostos que este fedelho me dá
lá em casa, todos os dias!
A professora, surpreendida pelo tom agressivo
da mulher, abriu a boca para falar, mas não teve tempo,
pois a mulher, mais carrancuda ainda, continuou:
— Eu sei por que a senhora mandou me
chamar, conheço bem o patife do meu filho! Ele não estuda é desobediente, atrevido e mentiroso! Não é isso que a senhora ia me dizer? E, sem esperar pela resposta finalizou:
— Mas, desta vez, vai se dar mal, ele não sabe
do que sou capaz!
Sacudiu com violência o braço do menino e
berrou:
— Você é igual ao desgraçado do seu pai! Só
me dá desgosto e vergonha!
A mulher calou-se, encarando com desespero a professora. Parecia prestes a ter um colapso.
A professora, atordoada, olhava para a mulher e, ao mesmo tempo, para o menino, que tinha perdido totalmente seu costumeiro ar de zombaria e
irreverência.
sábado, 5 de outubro de 2013
Gramática aos olhos da amada
Qual o adjetivo
para os olhos da amada
os olhos da amada
se confundem com o mar
ora verde ora azul
na cor do triste
no salmo da alegria
semântica da noite
metáfora da madrugada
as sílabas do vento
nos olhos da amada
o verbo amar edifica
os acentos da solidão
olhos do mar olhos do rio
olhos de serpente sem veneno
olhos de mulher olhos de sonhos
que guardei para viver no ponto do luar.
para os olhos da amada
os olhos da amada
se confundem com o mar
ora verde ora azul
na cor do triste
no salmo da alegria
semântica da noite
metáfora da madrugada
as sílabas do vento
nos olhos da amada
o verbo amar edifica
os acentos da solidão
olhos do mar olhos do rio
olhos de serpente sem veneno
olhos de mulher olhos de sonhos
que guardei para viver no ponto do luar.
Escrever na areia
Dois grandes mercadores árabes, de nomes Amir e Farid, eram muito amigos
e sempre que faziam suas viagens para um mercado onde vendiam suas mercadorias,
iam juntos, cada qual com sua caravana, seus escravos e empregados. Numa dessas
viagens, ao passarem às margens de um rio caudaloso, Farid resolveu banhar-se,
pois fazia muito calor. Em dado momento, distraindo-se, foi arrastado pela
correnteza. Amir, vendo que seu grande amigo corria risco de vida, atirou-se às
águas e, com inaudito esforço, conseguiu salvá-lo.
Após esse episódio, Farid chamou um de seus escravos e mandou que
ele gravasse numa rocha ali existente, a seguinte frase:
“Aqui, com risco de sua própria vida, Amir salvou seu amigo
Farid”.
Ao retornarem, passaram pelo mesmo lugar, onde pararam para rápido
repouso.
Enquanto conversavam, tiveram uma pequena discussão e Amir, alterando-se,
esbofeteou Farid. Este, aproximou-se das margens do rio e, com uma varinha,
assim escreveu na areia:
“Aqui, por motivos fúteis, Amir esbofeteou seu amigo Farid”.
O escravo que fora encarregado de escrever na pedra o agradecimento
de Farid, perguntou-lhe:
— Meu senhor, quando fostes salvo, mandastes gravar aquele feito
numa pedra e agora escreveis na areia o agravo recebido. Por que assim o
fazeis?
Farid respondeu-lhe:
— Os atos de bondade, de amor e abnegação devem ser gravados na rocha
para que todos aqueles que tiverem oportunidade de tomar conhecimento deles,
procurem imitá-los. Ao contrário, porém, quando recebemos uma ofensa, devemos
escrevê-la na areia para que desapareça, levada pela maré ou pelos ventos, a
fim de que ninguém tome conhecimento dela e, acima de tudo, para que qualquer
mágoa desapareça prontamente no nosso coração...
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
"Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor."
OFÉLIA
Dizei-me em que lago ou rio
jaz a inamovível Ofélia.
Ofélia, a louca, afogou-se.
Ofélia, a louca, em que lago
ou rio de correnteza,
entre sebes afogou-se?
Entre estrelas, orvalho, espuma
afogou-se a bela Ofélia?
Lua de alvo palor,
dá-me notícia de Ofélia
que por amor, só por amor,
levada na correnteza,
como um círio, um cisne, uma pétala
entre lágrimas afogou-se.
Dá-me notícias o vento?
Nem a fonte sussurrante
viu passar a louca Ofélia?
A doce pomba no abrigo?
Nem os pássaros viajantes
dão-me notícia de Ofélia?
Pelos bosques afagantes
não passou a pálida Ofélia?
Corvos da noite, gralhas, tempestades
que varrem as nuvens, por acaso,
não vistes um grão, um só grão
do corpo úmido de Ofélia?
Voa incerto sobre cerros,
planícies, desfiladeiros,
o corpo álgido de Ofélia?
Se, em verdade, Ofélia é morta
à penugem fatal do amanhecer.
Dizei-me se à vespertina luz
Ofélia, a louca, apodrece.
Dizei-me, ó sopro da tarde,
se Ofélia, a louca, repousa
em pântano resplandecente.
Dizei-me se ouço a voz dela
que só aos deuses é dado ouvir
seu nome apenas; dizei-me
se não é de anjos essa voz flutuante
Dizei-me em que lago ou rio
jaz a inamovível Ofélia.
Ofélia, a louca, afogou-se.
Ofélia, a louca, em que lago
ou rio de correnteza,
entre sebes afogou-se?
Entre estrelas, orvalho, espuma
afogou-se a bela Ofélia?
Lua de alvo palor,
dá-me notícia de Ofélia
que por amor, só por amor,
levada na correnteza,
como um círio, um cisne, uma pétala
entre lágrimas afogou-se.
Dá-me notícias o vento?
Nem a fonte sussurrante
viu passar a louca Ofélia?
A doce pomba no abrigo?
Nem os pássaros viajantes
dão-me notícia de Ofélia?
Pelos bosques afagantes
não passou a pálida Ofélia?
Corvos da noite, gralhas, tempestades
que varrem as nuvens, por acaso,
não vistes um grão, um só grão
do corpo úmido de Ofélia?
Voa incerto sobre cerros,
planícies, desfiladeiros,
o corpo álgido de Ofélia?
Se, em verdade, Ofélia é morta
à penugem fatal do amanhecer.
Dizei-me se à vespertina luz
Ofélia, a louca, apodrece.
Dizei-me, ó sopro da tarde,
se Ofélia, a louca, repousa
em pântano resplandecente.
Dizei-me se ouço a voz dela
que só aos deuses é dado ouvir
seu nome apenas; dizei-me
se não é de anjos essa voz flutuante
na vaga do céu descorado.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
"Um bom começo é a metade"
Platão
e Aristóteles
Quando dois gênios se encontram, as
estrelas
do firmamento ficam ofuscadas pelo brilho
e exuberância
de luminosidade que jorra do cérebro
desses gigantes da
inteligência.
Aristóteles fora discípulo de Platão.
Embora
continuassem amigos, ainda mantinham
alguns atritos e
discordâncias que feriam o amor-próprio de
um e de outro,
a ponto de Platão, referindo-se a
Aristóteles, compará-lo
a um jumento que mama na mãe e lhe dá
coices depois.
Platão convidara Aristóteles para um
jantar em
sua casa, oportunidade em que discutiriam
assuntos da
mais alta relevância.
No momento em que o escravo servia a sopa
a
Aristóteles, teve a infelicidade de
derramar um pouco do
conteúdo sobre a roupa do grande
estagirita.
Nesse comenos, Platão perdeu a esportiva e
passou a vociferar como um louco contra o
pobre e humilde
escravo, mandando que se ajoelhasse,
aplicando-lhe
algumas chicotadas.
Diante daquele quadro trágico e dramático,
Aristóteles dirigiu-se a Platão e disse em
tom calmo, mas
contundente, que o Mestre havia se
excedido, que deveria
ter aguardado outra oportunidade para
castigar o escravo,
mas não ostensivamente diante de pessoa
estranha, porque
seria duplo castigo.
— Muito me distingue a observação do meu
ilustre amigo e convidado, que deveria eu
aguardar outra
ocasião para castigar o meu escravo, não
diante de estranhos.
Agora pergunto eu, por que o ilustre amigo
que foi
tão cioso no meu modo de censurar o meu
escravo diante
de estranho, não aguardou outra
oportunidade para fazerme
essa censura?
Os deuses se entendem.
Livro Histórias Interessantes vol. II
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
O vinagre de quarenta anos
Já era perto da hora do jantar, quando um vizinho inoportuno resolveu bater à minha porta.
- Nasrudin, ouvi dizer que você tem um vinagre de quarenta anos. É verdade, vizinho?
- Sim, é verdade.
- Então, você podia me dar um pouco para eu usar na janta?
- Claro que não. Ele não teria quarenta anos se eu o ficasse distribuindo, não acha?
Livro Eu, Nasrudin
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.
Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos.
Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.
Buda
Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos.
Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.
Buda
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
”O livro é um mestre que fala, mas que não responde.”
Os Três Mal-Amados
O amor comeu meu nome, minha identidade,
meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu
endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os
papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços,
minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida
de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor
comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos
de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o
menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis,
andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do
largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre
marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não
anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os
anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o
futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras
estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e
minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça,
meu medo da morte.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
“As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar."
Peguei tua mão
e não te senti
olhei teus olhos
não me encontrei
tentei-te em mim
e já não estavas
e não te senti
olhei teus olhos
não me encontrei
tentei-te em mim
e já não estavas
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
O Mundo de Lara
Finalmente chegou o resultado do
teste, e Lara pegou a sétima série, que equivalia à sua idade. Juntos, todos
foram a uma pizzaria comemorar. Daniel, de tão feliz pela namorada, não parava
de olhá-la, contemplando os seus olhos grandes e esverdeados. Tudo era motivo
de alegria para ambos. Daniel iria começar a faculdade de medicina, seu sonho
antigo, e Lara iria frequentar uma escola, depois anos embaixo de sol,
trabalhando para os pais. Porém, isso nunca a envergonhou. Ao contrário, pois Lara
tinha orgulho da família numerosa e pobre que tinha. Seus pais nunca deixaram
faltar nada em casa. A vida deles era difícil, mas nunca passaram fome. Sempre foram
felizes. Agora Lara sabia que era a hora de lutar para ser alguém na vida. A chance
já lhe fora dada, agora só dependia dela. Ela ligou para os pais, que a
parabenizaram. Havia um orelhão na praça, em frente à casa deles, na Meruoca.
Livro O Mundo de Lara
da escritora Juliana Ibiapina
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