Platão
e Aristóteles
Quando dois gênios se encontram, as
estrelas
do firmamento ficam ofuscadas pelo brilho
e exuberância
de luminosidade que jorra do cérebro
desses gigantes da
inteligência.
Aristóteles fora discípulo de Platão.
Embora
continuassem amigos, ainda mantinham
alguns atritos e
discordâncias que feriam o amor-próprio de
um e de outro,
a ponto de Platão, referindo-se a
Aristóteles, compará-lo
a um jumento que mama na mãe e lhe dá
coices depois.
Platão convidara Aristóteles para um
jantar em
sua casa, oportunidade em que discutiriam
assuntos da
mais alta relevância.
No momento em que o escravo servia a sopa
a
Aristóteles, teve a infelicidade de
derramar um pouco do
conteúdo sobre a roupa do grande
estagirita.
Nesse comenos, Platão perdeu a esportiva e
passou a vociferar como um louco contra o
pobre e humilde
escravo, mandando que se ajoelhasse,
aplicando-lhe
algumas chicotadas.
Diante daquele quadro trágico e dramático,
Aristóteles dirigiu-se a Platão e disse em
tom calmo, mas
contundente, que o Mestre havia se
excedido, que deveria
ter aguardado outra oportunidade para
castigar o escravo,
mas não ostensivamente diante de pessoa
estranha, porque
seria duplo castigo.
— Muito me distingue a observação do meu
ilustre amigo e convidado, que deveria eu
aguardar outra
ocasião para castigar o meu escravo, não
diante de estranhos.
Agora pergunto eu, por que o ilustre amigo
que foi
tão cioso no meu modo de censurar o meu
escravo diante
de estranho, não aguardou outra
oportunidade para fazerme
essa censura?
Os deuses se entendem.
Livro Histórias Interessantes vol. II
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