quinta-feira, 3 de outubro de 2013

"Um bom começo é a metade"

Platão e Aristóteles
Quando dois gênios se encontram, as estrelas
do firmamento ficam ofuscadas pelo brilho e exuberância
de luminosidade que jorra do cérebro desses gigantes da
inteligência.
Aristóteles fora discípulo de Platão. Embora
continuassem amigos, ainda mantinham alguns atritos e
discordâncias que feriam o amor-próprio de um e de outro,
a ponto de Platão, referindo-se a Aristóteles, compará-lo
a um jumento que mama na mãe e lhe dá coices depois.
Platão convidara Aristóteles para um jantar em
sua casa, oportunidade em que discutiriam assuntos da
mais alta relevância.
No momento em que o escravo servia a sopa a
Aristóteles, teve a infelicidade de derramar um pouco do
conteúdo sobre a roupa do grande estagirita.
Nesse comenos, Platão perdeu a esportiva e
passou a vociferar como um louco contra o pobre e humilde
escravo, mandando que se ajoelhasse, aplicando-lhe
algumas chicotadas.
Diante daquele quadro trágico e dramático,
Aristóteles dirigiu-se a Platão e disse em tom calmo, mas
contundente, que o Mestre havia se excedido, que deveria
ter aguardado outra oportunidade para castigar o escravo,
mas não ostensivamente diante de pessoa estranha, porque
seria duplo castigo.
— Muito me distingue a observação do meu
ilustre amigo e convidado, que deveria eu aguardar outra
ocasião para castigar o meu escravo, não diante de estranhos.
Agora pergunto eu, por que o ilustre amigo que foi
tão cioso no meu modo de censurar o meu escravo diante
de estranho, não aguardou outra oportunidade para fazerme
essa censura?
Os deuses se entendem.
                                
                          Livro Histórias Interessantes vol. II

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